Review: Filme – Rubber (2010)

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“O filme que vocês estão para assistir é uma homenagem à falta de razão” – Rubber

Rubber é um filme francês lançado em 2010, dirigido e escrito por Quentin Dupieux cujos simplórios 80 minutos de duração farão cabeças explodirem. Literalmente. Seu elenco conta com alguns nomes conhecidos como Roxane Mesquida, Stephen Spinella e Wings Hauser, porém o protagonista dessa obra de arte cinematográfica é o mais conhecido de todos: O Pneu nosso de cada dia. Em meio aos grandes e controversos títulos da atualidade como Suicide Squad (2016) e o remake de Ghostbusters (2016), Rubber faz questão de deixar muito claro a sua falta de sentido e falta de obrigação com seguir uma fórmula de sucesso, apelando diretamente para algo impensavel e absurdo. É exatamente por isso que recebeu o Selo Tyghorn de Qualidade.

— ALERTA DE SPOILLERS —

Rubber começa com um sujeito em vestimentas um pouco mais formais segurando alguns binóculos próximo a uma estrada no meio do nada. A estrada à sua frente está repleta de cadeiras que são destruídas assim que um veículo policial americano, passa por elas. Do porta-malas, surge um policial (Stephen Spinella) que apanha um copo de água na mão do motorista e se dirige à câmera. O Tenente Chad (nome do policial) passa a explicar aos espectadores que o mundo dos filmes e a vida real estão cheios de falta de razão ou sentido. Após derramar o copo de água, o Tenente Chad retorna ao porta-malas e é guiado para fora, quando então é mostrado que existe um grupo de espectadores no local, aos quais são entregues os binóculos para assistirem um filme.

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Tenente Chad deixa claro que você poderia estar produzindo algo como a cura do câncer ao invês de estar assistindo isso.

Apenas este início de Rubber é o suficiente para deixar muito claro algo: Se você está assistindo isso buscando um sentido: desista. Deixe para trás qualquer preocupação com perguntas ou o funcionamento natural das coisas. Isso é Rubber, não A Lista de Schindler.

Eis que surge então nosso famoso protagonista, que emerge de um lixão no meio do nada. O Pneu levanta-se claramente cansado e confuso e passa a rondar o local. No seu caminho, descobre o ambiente ao redor, composto basicamente de lixo e pequenos animais, os quais ele os esmaga impiedosamente. O dilema surge quando nosso amigo encontra uma garrafa de vidro, a qual ele não consegue simplesmente passar por cima. É nesse momento dramático que O Pneu descobre seus poderes telecinéticos e a explode, seguindo adiante de forma vitoriosa.

Enquanto isso, os espectadores comentam a trajetória do curioso protagonista, discutindo sobre o nome correto de seus poderes ou simplesmente pedindo silêncio para que assistam o filme em paz. Assim segue Rubber, com cenas alternadas entre o “verdadeiro filme”, mostrando a trajetória do ser emborrachado e os diálogos e ações dos espectadores.

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Mesmo com certos diálogos, os espectadores conseguem ser muito mais silenciosos e educados do que os frequentadores dos cinemas nacionais.

O que realmente impressiona em Rubber é a magnífica atuação do Pneu. Suas cenas são repletas de bons ângulos de câmera, música e uma movimentação que deixa bem claro o que este tireless (incançável – Quem sabe inglês vai entender a piada) ser está pensando. O filme deixa transparecer que tudo o que ele deseja é viver tranquilamente. As coisas ficam ainda mais interessantes quando O Pneu se encontra com Sheila (Roxane Mesquida) e surge um óbvio interesse amoroso, com direito até a uma espiada no banheiro enquanto a moça toma banho.

Apesar de tudo, nosso amigo das estradas não deixa de ser o que é e as pessoas ao seu redor o tratam como tal. Nesse ponto O Pneu mostra seu lado aterrador e cruel, simplesmente explodindo as cabeças dos que o maltratam ou ficam em seu caminho com seus poderes telecinéticos. Sua onda de terror chega a ser descoberta, mas os policiais que a investigam simplesmente demoram a acreditar na história do Pneu Assassino, por razões bem óbvias eu diria.

Em paralelo a isso tudo, estão os espectadores e sua interação com O Contador (Jack Plotnick), que os mantêm espertos para o espetáculo cinematográfico. O Contador recebe ordens do Tenente Chad e uma delas é para envenenar os espectadores secretamente com um peru assado, para que possam simplesmente parar com a atuação, porém um deles se recusa a comer e por isso o filme deve continuar. O terrível destino recai sobre o próprio Contador, quando ele tenta por uma segunda vez ofereçer uma refeição ao Cadeirante (Wings Hauser), porém acaba ele mesmo ficando faminto e ingerindo a refeição envenenada.

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O desejo secreto de todo pneu é assistir a NASCAR durante às tardes sem ser perturbado.

Após presenciar o terror de uma pilha de pneus sendo queimada em um outro lixão, o protagonista exerce terrível e sangrenta vingança numa pequena cidade próxima. Os policiais o perseguem e depois de uma tentativa de armadilha frustrada, conseguem abatê-lo a tiros. Apesar desses esforços, O Pneu reencarna em um triciclo, seguindo sua jornada pelo mundo. Nos momentos finais, O Pneu descobre que não está sozinho e acaba por agrupar amigos de mesma espécie em sua “caminhada” até Hollywood, onde sem dúvidas farão grande sucesso nas telas do mundo.

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Uma vitoriosa gangue de pneus segue do desconhecido interior, para o estrelato. Prontos para derrubarem os terrveis “sucessos de bilheteria”.

Como dito anteriormente, é um crime tentar entender ou adicionar sentido em Rubber, mesmo que tenha uma história simples e fechada. Em sua tentativa de fazer uma homenagem à falta de sentido, ele foi muito bem sucedido, sem a necessidade de cenas extras ou desnecessárias. A atuação de todos os personagens, incluindo nosso querido protagonista, está na medida certa, mostrando muito bem que não passam de pessoas comuns tentando viver suas vidas. O jogo de câmera e a trilha sonora trazem um clima de descontração e tranquilidade, fazendo Rubber ser um filme perfeito para assistir durante as tardes de Domingo com a família.

Rubber é a prova de que super efeitos exagerados, apocalipses bizarros e enormes campanhas de hype marketing não são necessárias para se fazer um filme bom, sério e correto. Rubber recebeu a nota 5.8/10 no IMDB e 68% no Rotten Tomatoes, bem pouco para algo que merecia no mínimo um 9 já que faz exatamente o que se propõe.

Caio “Agent 00-Horn” Victor

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