Review: Filme – Hardcore Henry (2016)

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“Você vai ficar ai deitado, engolindo o sangue em sua boca? Ou vai se levantar, cuspir e derramar o sangue deles?”

Vindo de nada menos que a terra-mãe, Hardcore Henry é um filme Russo/Americano lançado em 2016, dirigido e escrito por Ilya Naishuller que levou muito a sério a parte da “ação” em filmes de ação, já que dos seus aproximados 90 minutos, pelo menos 70 envolvem perseguições, tiros, brigas, explosões, parkour e todo tipo de combinação entre esses cinco elementos. Seu elenco conta com a participação de Sharlto Copley, Danila Kozlovsky, Haley Benett e Tim Roth, que apesar de uma participação breve é bastante importante. Hardcore Henry me impressionou muito pelo estilo da câmera que é em primeira pessoa, sempre do ponto de vista do protagonista Henry, além da maravilhosa dose de sanguinolência envolvida. Este foi um filme que não apenas mereceu o Selo Tyghorn de Qualidade, como também é um forte concorrente (e porque não dizer logo vencedor?) a filme favorito.

— ALERTA DE SPOILERS —

Hardcore Henry começa com o despertar do protagonista, que está nos estágios finais de uma espécie de recuperação corpórea já que lhe faltam um braço, uma perna e seu tórax está em um estado bem ruim. A médica/cientista Estelle (Haley Benett) ajuda Henry com a recuperação e confirma que ele perdeu a memória. Com um pouco de tristeza, Estelle lembra a Henry que ambos formam um casal e que logo tudo ficará bem. O braço e perna perdidos do protagonista são substituídos por próteses cibernéticas e os cabos ligados em seu tórax logo no início deixam claro a natureza de ciborgue de Henry.

Antes de instalar seu módulo de som, o laboratório é atacado por soldados liderados por Viserys Targaryen Akan (Danila Kozlovsky), um óbvio vilão que além de gostar da clássica comunicação debochada com os demais personagens, revela ter poderes telecinéticos. Henry e Estelle conseguem escapar do laboratório voador e através de uma cápsula de fuga aterrissam bruscamente em meio a uma estrada, onde são atacados por mais soldados de Akan. Estelle é raptada e Henry vê-se sozinho, lutando para sobreviver e resgatar sua esposa.

No caminho, Henry encontra Jimmy (Sharlto Copley), que demonstra conhecer muito sobre ele e sobre os planos do vilão. A partir daí, Jimmy auxilia Henry direcionando-o para que troque sua bateria, vá para seu laboratório secreto e resgate sua amada. Cada movimento de Henry é recheado de ação frenética, com alguns poucos e precisos minutos de explicações, sem detalhes desnecessários. Os soldados de Akan parecem saber sempre onde o protagonista está, porém sempre são destroçados de várias formas criativas pelas capacidades superiores de Henry.

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“Um comboio repleto de soldados? Sem problemas!”

Após passar por várias cenas de ação, Henry quase resgata Estelle, porém sofre mais um golpe duro e fica próximo a morte, sendo salvo novamente por Jimmy. Para os espectadores que conseguem se deixar levar fácil pelo ambiente do filme, um dos momentos realmente curiosos é quando Jimmy, que havia sido claramente morto com um tiro na cabeça, aparece como um mendigo, sendo incinerado pouco tempo depois. Porém mais uma vez ele surge como um drogado que gosta de curtir a vida. Após ser resgatado, Henry descobre que o verdadeiro Jimmy é um cientista paralítico que conseguiu construir vários avatares para poder viver de vários modos diferentes, fora de sua condição física. Henry também descobre os planos de Akan para construir um exército de ciborgues com as mesmas capacidades dele para poder dominar o mundo (Não é dito exatamente com essas palavras, mas o que mais seria?).

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Durante todo o filme, Akan debocha de Henry com excelentes frases de efeito, piadas e demonstrações de como ele é um vilão legal.

Depois de uma análise no corpo de ciborgue de Henry, Jimmy descobre que ele possui um bloqueador de memória e que sua visão é transmitida diretamente para Akan, revelando então como os soldados sempre sabem onde ir. Com mais um ataque, o laboratório de Jimmy é destruído e a dupla ruma para um confronto com o vilão.

No pedaço final do filme, as cenas de ação atingem seu ápice de frenesi e derramamento de sangue, acompanhadas pela morte final de Jimmy e o confronto de Henry com os primeiros soldados ciborgues de Akan. Apesar de seus esforços, Henry não consegue ser páreo para os poderes telecinéticos de Akan e além de ser derrotado, descobre que Estelle nunca foi sua esposa, mas na verdade a esposa de Akan e a cientista que deu a idéia de fazer Henry acreditar na mentira para que pudesse controlá-lo. Com o bloqueador de memória desativado, Henry se lembra das palavras de seu pai (Tim Roth) e se ergue para distribuir finalizações em Akan e Estelle que deixariam qualquer fã de Mortal Kombat feliz.

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“Esse dia vai ser louco.”

A primeira grande novidade de Hardcore Henry foi seu estilo de filmagem, usando uma aparelhagem complexa para o efeito do primeira pessoa. O protagonista é encarnado por Sergey Valyaev, Andrei Dementiev e o próprio Ilya Naishuller. Segundo os corvos do conhecimento, pelo menos dois deles tiveram problemas físicos sérios ao usar o aparelho para as filmagens. Apostaria dizer que devido às restrições desse tipo de filme, a história é extremamente simples, apesar de muito bem amarrada. Talvez por ter um certo costume com esse tipo de coisa, só começei a notar o nível crescente da pancadaria à partir do meio do filme, com sua conclusão sendo mais do que satisfatória. As cenas de ação e perseguições são muito bem feitas e são complementadas com uma trilha sonora frenética e um pouco cômica ao mesmo tempo. Para aqueles acostumados a assistir os filmes de Quentin Tarantino ou semelhantes, talvez não achem nada demais, já outras pessoas um pouco mais sensíveis a isso serão rapidamente espantadas nos dois primeiros minutos.

Hardcore Henry recebeu nota 6.8/10 no IMDB e 48% no Rotten Tomatoes, notas que eu firmemente sou contra. Mesmo com sua história rasa, seu estilo de filmagem garante alguns pequenos e preciosos detalhes para os olhos atentos. Esses mesmos olhos podem notar algumas pequenas falhas, principalmente de interação com figurantes, mas nada que deva derrubar essa obra-prima. Viva a porrada desnecessária!

Caio “Ty~~orn” Victor

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