Review: Filme – Ghost in the Shell (2017)

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“Bem, talvez da próxima vez você possa me projetar melhor.”

Finalmente após muitos mares revoltos, hype, não-hype e todos os fenômenos que naturalmente o seguiriam, Ghost in the Shell chegou aos cinemas nacionais nessa quinta-feira, dia 30/03/2017. O filme é uma adaptação do manga e anime lançados respectivamente em 1989, escrito por Masamune Shirow; e 1995, dirigido por Mamoru Oshii. O anime/manga se passa em uma Terra de ficção científica onde a tecnologia avançou a altos níveis e as pessoas podem modificar seus corpos para incluir diversos implantes, incluindo ter um corpo completamente robótico e apenas o cérebro orgânico, transformando-a em um ciborgue. As histórias possuem um misto de ação e psicologia principalmente no que se diz respeito a questões tecnológicas e éticas.

Até onde vi as notícias e comentários as pessoas estavam atemorizadas com o filme, considerando todo um passado sinistro de tentativas de filmes de jogos, livros e outros animes/mangas. Isso juntou-se com as críticas a protagonista Major Motoko encarnada por Scarlett Johansson que não é asiática, entre outros golpes dos(as) guerreiros(as) da justiça social. Como gostei bastante do anime (não cheguei a ler o manga), prontamente fui ao cinema armado com expectativas tendendo a zero e gostos extremamente duvidosos para apreciar a obra. Acabou sendo uma ótima experiência, situada em um cenário magnífico, personagens e situações nostálgicas, mas, infelizmente, um enredo raso em comparação aos seus progenitores.

Alerta!

Aos mais sensíveis, existem Spoilers abaixo!

Ghost-in-the-Shell-Trailer-Major-jumps-through-window

Ghost in the Shell (2017) se inicia de maneira bem familiar aos que ainda tem o anime na mente. Após mostrar toda a cena da construção do corpo robótico de Major Motoko, que teve seu nome trocado por Mira, o filme da um salto de 1 ano no tempo para a clássica cena de assalto pelo vidro, com algumas diferenças. Descobre-se que membros importantes da gigante empresarial Hanka estão sendo assassinados por um cibercriminoso. Enquanto buscam informações sobre o culpado, são apresentados os demais personagens, Batou (Pilou Asbaek), Togusa (Chin Han), Ishikawa (Lasarus Ratuere), Ladriya (Danusia Samal) e Aramaki (Takeshi Kitano); que junto com Major fazem parte da Section 9, um grupo de combate ao crime especializado em contra-terrorismo e outras situações semelhantes. Sendo a única ciborgue construída até o momento, Major passa por seus momentos de dúvida por não ter memórias do passado anterior ao procedimento que a transformou. A situação piora quando ela começa a ter visões holográficas de locais estranhos, o que leva ela e a Dra. Ouelet (Juliette Binoche) a tratarem o fato como bugs de sua programação.

Enquanto invadem um bar da Yakuza como parte de sua investigação, Batou é ferido gravemente, levando-o a aplicar seus clássicos implantes cibernéticos nos olhos, até então ausentes. Durante todo esse tempo, Cutter (Peter Ferdinando), diretor da Hanka, lembra de forma bem impositória a Aramaki sobre como o corpo cibernético de Major é propriedade de sua empresa e como ela é uma arma a ser explorada sem pudores, indo de encontro a ideologia mais humanista da Dra. Ouelet que a considera um milagre científico. As falhas de Major pioram após ela tentar hackear uma das robós-gueixa controladas pelo cibercriminoso conhecido como Kuze (Michael Pitt). Depois de assaltar o seu esconderijo e confrontar Kuze, ele revela a Major que já houveram outras tentativas de se produzir ciborgues e que ele mesmo foi uma delas. Kuze acaba fugindo, deixando a protagonista com mais dúvidas.

Enquanto ponderava sobre sua existência e memórias durante a prática de seu hobby, o mergulho, Major é capturada e levada a Hanka, onde Cutter ordena que suas memórias sejam apagadas e ela morta, para poderem produzir um novo ciborgue. A Dra. Ouelet salva Major, sendo morta em sequência, mas não sem antes libertar suas memórias e entregar-lhe pistas de seu passado. Nesse ponto, Cutter revela-se o verdadeiro vilão da trama, sendo que Kuze na verdade era um dos companheiros do passado de Major que descobre seu verdadeiro nome ao seguir as pistas deixadas pela doutora: Motoko. Cutter ordena a eliminação dos membros da Section 9 que retalham devidamente, incluindo Aramaki que mostra o que é ser um veterano em trabalho perigoso. O filme culmina em uma batalha com um dos Spider Tanks da série e a morte de Kuze. Com suas memórias de volta, Major Motoko decide continuar como combatente do crime junto aos demais membros da organização.

GHOST IN THE SHELL

Como era de se esperar o filme não traz o mesmo enredo de seus progenitores, é uma característica que já deveria ter sido aprendida a muito tempo pelas pessoas. Para mim que fui assistir esperando uma verdadeira catástrofe, foi uma boa surpresa quando muito do cenário e ideias originais foram aproveitadas, mesmo que de forma torta. O manga/anime tem uma conotação psicológica bem mais pesada, outro elemento que não esperava ver em um filme Blockbuster, mas posso dizer que houveram seus breves momentos que infelizmente foram engolidos pela história principal.

Quanto a essa, como disse anteriormente, é bem fraca, típica receita de bolo. No início carreguei um pouco de esperança para que a história tivesse um foco maior na questão de ética de IA’s e robós, um pouco de filosofia tecnológica, mas ela acabou sendo esmagada por um já velho conto de auto-descoberta misturado a vingança. Mesmo sendo razoavelmente curto existem alguns momentos descenessariamente longos onde Makoto olha para o vazio ou faz ações aleatórias enquanto frita os neurônios tentando lembrar seu passado deletado.

Ghost in the Shell

O cenário de Ghost in the Shell é espetacular, uma bela evolução do que é apresentado durante o anime/manga. Muitas projeções holográficas de propagandas cobrem a cidade, muitas pessoas carregam implantes e várias outras utilizam dispositivos de Realidade Virtual e Realidade Aumentada para surfar nos oceanos de informações. A trilha sonora é interessante, porém não chegou a me chamar atenção.

Em uma suposta tentativa de agradar os fãs, o filme utiliza muitas cenas e diálogos iguais às suas versões animadas, como a invasão do prédio no início, a conversa entre Motoko e Batou no barco e a batalha e derrota do Spider Tank no final. O trabalho com os personagens no geral foi eficiente, mas sem ser espetacular. Aramaki, Major e Batou acabaram tomando a maior parte das cenas, deixando Togusa e Ishikawa como coadjuvantes menores. Kuze acabou sendo uma tentativa fracassada de ocupar o lugar do Puppet Master, ou projeto 2501, das sequência originais e por um breve momento tive um terrível medo de um romance infundado entre ele e a protagonista surgir.

As cenas replicadas me fizeram pensar que a possibilidade de fazer uma obra igual a original era bem concreta e que muitas boas ideias e discussões bateram na trave diversas vezes, dando lugar à simplicidade dos Blockbusters modernos. A atuação dos astros acabou sendo a esperada, expressões sérias, curiosas e um pouco de espanto aqui e ali, nada impressionante, apenas o padrão. Pilou Asbaek se sobressaiu mais, dando uma ponta de personalidade melhor ao Batou.

GHOST IN THE SHELL

A impressão final que tive foi que Ghost in the Shell tentou agradar um público diverso, desde os fãs com cenas replicadas e passando pelos que não estão acostumados com Sci Fi, sem tentar espantar ninguém com filosofias pesadas. Nenhuma praticamente. Passou perto de ser um daqueles típicos filmes de ação com protagonistas exageradamente dramáticos ou “mais humanos”, que vem saindo aos montes ultimamente. Fazendo o máximo que posso para não ofender os(as) mais sensíveis aqui, tenho certeza que não deu certo… Ghost in the Shell (2017) recebeu nota 6.9 no IMDB e 42% no Rotten Tomatoes, provavelmente trazendo alegria dos que desmembraram o filme antes de seu lançamento com frases de “Eu disse!” e coisas do tipo. Parei de tentar dar notas vagas para esse tipo de coisa.

 Caio “Tyghorn” Victor

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