Review: Jogo – Bioshock Infinite

Bioshock Infinite Title

Então, finalmente eu terminei a série Bioshock. Se não fosse por constante insistência de terceiros não teria jogado Infinite tão cedo. Me contaram também que “O final desse jogo vai deixar você mindfucked” e de fato isso ocorreu de tal forma que imediatamente após concluir tive que buscar algumas informações na internet, as quais compartilharei com vocês caríssimos leitores e leitoras, como se eu fosse um grande entendido do jogo, quando na verdade não entendi nada, estava satisfeito apenas em explodir cabeças com o Hand Cannon.

Produzido pela Irrational Games, Bioshock Infinite encerra (eu espero…) a conhecida série Bioshock com um terceiro jogo muito diferente dos seus predecessores. Apesar de sua história e cenário cativantes, Infinite falha em adicionar novas mecânicas relevantes à série e oferece uma experiência no máximo divertida.

Alerta!

Aos mais sensíveis, existem Spoilers abaixo!

Muito acima dos profundos mares de Rapture, encontra-se Columbia, uma cidade flutuante que serve de cenário para Bioshock Infinite. O protagonista da vez é Booker DeWitt, um ex-agente que recebe a tarefa de “Trazer a garota e limpar seu débito”. Após subir em um farol, Booker é lançado aos céus em uma espécie de sonda e alcança Columbia. Sua busca o leva até Elizabeth, uma jovem mantida em uma torre e vigiada por um enorme pássaro mecânico. Durante a fuga, os personagens são pegos na situação sociopolítica de Columbia, participam de revoltas populares, encontram personalidades importantes e descobrem os segredos de seus passados.

Em meio a tudo isso, Elizabeth revela sua habilidade de abrir tears, espécies de distorções espaço-temporais que podem fazer surgir objetos ou até transportar a dupla para outras dimensões. Como era de se esperar em toda história que envolve elementos temporais, em algum momento isso causa problemas e os personagens descobrem o motivo das coisas serem como são, é o melhor jeito de explicar sem ter que narrar toda a história.

Também como seria de se esperar, as grandes revelações estão guardadas para o final do jogo, mais especificamente em cutscenes que só são entendidas por quem prestou atenção em cada micro detalhe do jogo. Ou seja, ninguém. Simplesmente não há como uma pessoa normal se lembrar de tudo e tão incomum quanto é anotar cada fragmento, que pode ser inútil, para construir a história. Confesso que já pensei em fazer isso, mas é uma tarefa altamente tediosa.

Bioshock Infinite Elizabeth

O cenário de Bioshock Infinite possivelmente foi meu elemento favorito. A cidade de Columbia em 1912 é espetacular, cheio de detalhes e uma beleza impressionante. Devo ter passado as duas primeiras horas dando voltas, entrando em cada estabelecimento possível (mas sem quebrar seus potes) e admirando as paisagens. Assim como Rapture, Columbia não apenas tem um visual específico da época, como também apresenta seus elementos únicos como os barcos flutuantes, skylines, pontos de acoplamento entre distritos e outros. Tudo bem consistente e apresentado, causando realmente a impressão que aquela é uma “cidade comum”, onde pessoas vivem e levam suas vidas.

Bioshock Infinite Landscape

Retomando a questão da história e concluindo meu raciocínio, é confusa e complicada. Envolve fatos que aconteceram antes ou depois, o que personagem X fez e o que Y deixou de fazer. Ela não chega a ser do estilo de Bioshock, onde o contexto social e os ideais dos personagens são bem fortes. Infinite é mais uma jornada de descoberta de segredos. O início é bastante lento e desinteressante, tornando-se gradativamente mais fantasioso e mindfuck até os últimos momentos. Confesso que não esperava o que Infinite me apresentou, pensei que seria algo mais “pé no chão”, como seus predecessores. Considerei a missão relativa ao fantasma da mãe de Elizabeth bem desnecessária e já destoante demais dos acontecimentos do jogo.

Como dito no início, não há nenhuma grande novidade mecânica em Infinite. Plasmids e ADAM foram renomeados para Vigors e Salts respectivamente, mas conservam exatamente as mesmas características. Em Infinite o jogador pode manter dois Vigors selecionados e trocá-los rapidamente com um botão. Para acessar os outros é necessário ir no Menu e designá-los para os dois slots rápidos. A variedade de armas é boa, mas pouco relevante. Para começar é possível carregar apenas duas armas, que podem ser trocadas rapidamente também com um botão. Para adquirir outras é preciso descartar uma, o que não é tão complicado já que inimigos carregam armas diferentes e é possível encontrar outras largadas por aí. É algo um pouco chato e limitado, mesmo com a possibilidade de troca. Algumas variedades de armas simplesmente são irrelevantes. Existem uns dois ou três tipos diferentes de metralhadoras e quase não há diferença entre elas. Algumas armas eu simplesmente não entendi o funcionamento, como Heater, que aparentemente causa enormes danos e tem uma munição extremamente limitada. Considerando o limite de duas armas decidi não arriscar.

Se o objetivo desse sistema for dar uma variedade e dinamismo na ação ao buscar armas diferentes ou passar por uma situação como “Arma K seria boa agora, mas ali só tem arma J, então terei que resolver com isso”, não foi levado em conta a questão de que trocar de arma desse modo no meio do combate é lento e bem irritante (precisa segurar o botão).

Bioshock Infinite Action

Os Vigors por outro lado tiveram uma evolução interessante. Todos eles possuem pelo menos dois modos, o disparo comum com um clique simples do mouse e a possibilidade de fazer armadilhas ao segurar o botão, diferente dos jogos anteriores onde haviam Plasmids especificamente voltados para isso. Alguns concedem vantagens interessantes, como o Elétrico que permite a criação de cristais que emitem raios entre si e causam danos nos inimigos que se aproximam do perímetro.

Os upgrades agora são bem mais fáceis e estendem-se também aos plasmids. Com uma quantia de dinheiro é possível comprar até 4 upgrades para as armas, e 2 para os Vigors. Ao contrário dos jogos anteriores onde era possível apenas um upgrade por estação, o único limite agora é seu dinheiro, o que pode ser considerado quase ilimitado. Em compensação, não existem mais munições diferentes para as armas. Outra adição foram as Gears, peças de equipamento com bônus passivos como maior alcance para o golpe corpo-a-corpo, recuperação de munição maior entre outros. É possível utilizar até 4 Gears.

Para quem achava que Infinite seria uma longa missão de escolta, alegrem-se em saber que Elizabeth sabe se proteger muito bem em meio ao combate e eventualmente arremessa para o protagonista munições, moedas e Kits Médicos, sempre o mais necessário para a situação atual. Elizabeth também consegue abrir portas trancadas e abrir tears em alguns pontos específicos, concedendo cobertura, armas, munições e pontos de acesso diferentes. Um verdadeiro canivete suiço.

Bioshock Infinite é um jogo bem divertido, mas não marcante e seu final definitivamente vai confundir os jogadores mais casuais. Sendo um terceiro título tão diferente dos finais, mostra claros sinais de queda de qualidade na série, o que me faz torcer para pararem de vez e deixa-la em uma boa classificação antes de arruinarem com tudo.

Caio “Tyghorn” Victor

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