Review: Jogo – Doki Doki Literature Club

DDLC Title

Belo jeito de começar o ano. O que não fazemos em nome da ciência…

Dia 03/01. Deveria ser uma madrugada comum, envolvendo filmes de tubarão, leitura ou a continuação do meu império de terror em Endless Space 2, mas um camarada me mandou uma mensagem “Doki Doki Literature Club. Jogue algum dia.”. Procurei informações e prontamente gargalhei quando vi do que se tratava. O sujeito insistiu “Não pesquise nada a respeito. Não leia nada. E algum dia, jogue”. Veja bem, é um camarada que conhece exatamente o tipo de jogo que gosto, ele não iria me recomendar um Date Sim desse jeito seco. Na Steam, uma das tags associadas ao título é “Psychological Horror” e em sua descrição há o aviso “Esse jogo não é recomendado para crianças ou aqueles que são facilmente perturbados”. No site HowLongToBeat é informado que a história principal pode ser concluída em torno de 4 horas. Vencido pela maldita curiosidade, fui verificar do que se tratava aquilo. Fiquei impressionado.

Doki Doki Literature Club trata-se de Visual Novel que distorce a pontos extremos os elementos de um Date Sim e de um Jogo Eletrônico em si. Devo dizer que não tenho certeza sobre a parte “Horror” que é mencionada, mas certamente DDLC traz inúmeros elementos perturbadores e inesperados que facilmente causariam algum tipo de reação em pessoas mais sensíveis. Complementando isso, ele também envolve alguns temas muito delicados, então é crucial levar a sério os avisos que o cercam.

Alerta!

Existem Spoilers abaixo!

Existem temas delicados abaixo!

História

Desenvolvido pelo Team Salvato, DDLC possui uma história bem linear. O protagonista é um rapaz bem genérico de um cenário escolar de animes/mangás Slice of Life. Logo no início, ele é convidado a participar de um clube de literatura por Sayori, sua amiga de infância. Chegando ao local, ele encontra as 4 personagens do jogo, contando com Sayori, que representam arquétipos de personagens de anime/mangá. Após decidir fazer parte do clube, todas resolvem escrever e mostrar poemas no dia seguinte.

A partir daí, segue-se uma espécie de rotina. Começa com o(a) jogador(a) escrevendo um poema em um mini game de escolha de palavras onde cada palavra agrada uma garota em particular. Ao chegar no clube, a história segue com as interações entre as personagens e aquela que recebeu mais pontos no mini game faz uma cena em especial com o protagonista, tornando-se mais próxima dele, algo que acredito ser comum em um Date Sim. Após isso, as personagens compartilham seus poemas e oferecem suas opiniões. Depois 3 ciclos, as personagens começam a se preparar para o festival da escola e uma delas visita o protagonista para que a auxilie com suas tarefas. Nesse ponto, o protagonista resolve também visitar Sayori, que estava agindo de forma estranha. Ela revela que sempre sofreu de uma forte depressão e explica algumas de suas motivações e sentimentos com relação às demais personagens e o protagonista. Terminada a visita da personagem escolhida, Sayori reaparece e se declara para o protagonista, que pode escolher entre devolver o sentimento ou chutá-la no poço da FriendZone.

O dia seguinte é o início do festival escolar, porém o protagonista lê o último poema de Sayori e nota que é muito diferente do que ele costumava escrever. Sentindo que algo estranho está acontecendo, ele corre para a casa dela e…. descobre que ela se suicidou, enforcando-se. A partir desse momento DDLC começa a “quebrar” e toma um rumo completamente diferente. Para começar, o jogo reinicia e o Sprite de Sayori torna-se distorcido e bugado. Qualquer referência a seu nome também é mostrada de forma quebrada.

DDLC Glitch

Não irei detalhar tudo, mas a história recomeça sem a presença de Sayori, mas os eventos rapidamente começam a se tornar perturbadores. Algumas falas das personagens tornam-se bem fortes, o som é distorcido em certas cenas e glitchs gráficos diversos e JumpScares começam a tomar conta. Tudo culmina no suicídio bem visual de mais uma garota, Yuri. Depois de passar o fim de semana simplesmente observando o cadáver de Yuri (super divertido), as últimas duas personagens aparecem. A reação mais que natural da primeira é devolver seu café da manhã e sair correndo, porém Monika, a presidente do clube, não age de acordo com a situação. Com toda a naturalidade, ela deleta os arquivos de todas as outras personagens do jogo e então vem as revelações.

Desde o início Monika sabia que aquilo se tratava de um jogo e resolveu alterar os eventos de forma a ter mais atenção romântica não do protagonista, mas sim do(a) jogador(a) (inclusive ela em um momento se refere a/ao jogador(a) utilizando o nome do usuário do computador). Após contar suas motivações, ela decide passar “a eternidade” com o(a) jogador(a), mas não sem antes contar exatamente como deletou suas “rivais”. Para continuar, é necessário que o(a) jogador(a) faça exatamente o mesmo e delete o arquivo de personagem de Monika da pasta do jogo. Feito isso, Monika sofrerá os mesmos glitchs que as demais e a história segue linearmente até o fim, no qual DDLC terá seus arquivos tão alterados que será necessário reinstala-lo (ou deletar um arquivo específico) para jogar novamente.

Comentários

Em resumo DDLC utiliza bastante a “quebra da quarta barreira” para interagir diretamente com o jogador. Mesmo com todas as macabras distorções, DDLC ainda é um jogo sobre romance, porém levado ao extremo. Outro ponto muito forte é a utilização de Easter Eggs. Existem eventos e glitchs que não ocorrem sempre, sendo que alguns tem uma chance muito baixa (menos de 1%). Durante o primeiro arco, o jogo se resume a ser um Date Sim bem simples, mas após a morte de Sayori os eventos principais começam a ocorrer. Dentre os Easter Eggs, estão arquivos de texto que surgem na pasta do jogo após certas cenas, deixando claro a forte presença de Monika. É possível alcançar finais alternativos manipulando Save Games e os próprios arquivos das personagens.

Os avisos devem ser levados bem a sério devido não apenas aos glitchs e JumpScares, mas principalmente pela temática de suicídio e comportamento obsessivo/depressivo de algumas personagens.

Mesmo tendo um fluxo e uma “jogabilidade” minimamente interessante, a principal razão pela qual fui até o fim foi a curiosidade de resolver um quebra-cabeça. O tipo de personagens, músicas e jogo não me agrada, mas reconheço que foram muito bem feitos. Até mesmo os glitchs foram excelentemente posicionados, muitos deles inclusive aparecem como erros comuns de programação ou de um jogo com defeitos.

DDLC é o tipo de jogo que não conseguiria descrever precisamente em uma Review já que ele lida diretamente com a experiência individual. Para aqueles que se interessarem, recomendo se atentar aos avisos.

Caio “Tyghorn” Victor

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Um pensamento sobre “Review: Jogo – Doki Doki Literature Club

  1. Recomendo seguir a rota da Sayori no início pois é a única ocasião em que se pode faze-lo. Idealmente seria bom jogar sem ter lido este review, ou qualquer outro, mas uma vez ja lido, fica a dica da Sayori.

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